Preserve as florestas, tenha água
Ambiente e sociedade
Sou da periferia, periferia do "3º mundo", nasci em bairro da periferia da cidade chamada São Paulo. Sempre pertenci a marginalidade, ao "gueto", mas influenciado pelos conhecimentos burgueses, religião burguesa, família pequeno burguês... O resultado é um pouco previsível: pequeno burguês metido a intelectual, que muda pouca coisa a sua volta. Li muito, mais os livros que li são histórias de contos, revoltas de cunho mental não estruturais, romances de cunho fisiológico e emocional que renova mas não altera. Posso dizer que os livros cumpriram seu papel, me transformaram em um adolescente preconceituoso com as formas de cultura da periferia, não via que as formas de cultura são o subconsciente atuando, pedindo justiça sedento pelos prazeres do corpo e da alma. Acredito que o mundo passa a ter outro significado, quando ao me tornar professor e não "biólogo" conheci crianças e jovens com sua cultura periférica própria em conflito com o sistema e com a minha formação social. Foi nas escolas da periferia de Itapecerica da Serra que o mundo burguês se desmoronou e o periférico vem a tona. Nos livros de Paulo Freire aprendi a reler a sociedade e buscar novas propostas de pedagogia não baseadas na tecnologia, mas no contato fraterno e desvelamento das contradições sociais e ambientais. Hoje sigo minha sina de leitor, agora mais preocupado em encontrar caminhos para ampliação do capital cultural dos estudantes da periferia, para resistirem a mídia que impõem padrões e terem sucesso na sua jornada por descobrimento do mundo e que não se tornem vítimas dele. Minha formação de biólogo me permitiu valorizar ainda mais Marx, Weber e Bourdieu e tantos outros. São leituras indispensáveis para ser professor, cidadão e fazer escolhas... O próximo passo é explicitar especulação imobiliária, preservação das florestas, geração de renda e melhoria na qualidade de vida das pessoas que moram em áreas de preservação permanentes